Descrição:
Na definição da OMS, “o pedestre é qualquer pessoa andando a pé em pelo menos parte de sua jornada”. No caso específico da Estação Central do Brasil são cerca de 30 mil passageiros diários que se utilizam exclusivamente do modo a pé para acessar a estação ferroviária e então embarcar nos trens que dali partem. De modo geral, estes pedestres caminham por distâncias que variam de 1 a 3 km, uma vez que o terminal ferroviário está inserido em local afastado do coração do centro financeiro da cidade, em um vazio urbano criado pela própria infraestrutura ferroviária. No entanto, é justamente nos últimos 200 metros de trajeto que se encontram os maiores obstáculos à caminhabilidade destes passageiros, com o acesso à estação sendo feito por um entorno extremamente caótico e hostil ao pedestre.
Se levarmos em consideração que a este volume de pedestres ainda se soma o quantitativo de passageiro integrados que circulam entre os terminais da região, bem como passantes pretendendo acessar os comércios e serviços lindeiros, se torna premente a necessidade de prover maior espaço de circulação pedonal na região. Como referência, propõe-se que a área passe por intervenção urbana inspirada no conceito francês de ‘placeparvis’, termo que designa a esplanada frontal às estações ferroviárias que tem como função o melhor ordenamento dos fluxos de pedestres, promovendo o bem estar no entorno.
A principal ferramenta para criação desta esplanada seria o urbanismo tático, ação que visa conferir novos sentidos para os espaços públicos a partir de mudanças rápidas, reversíveis e de baixo custo, sendo um primeiro passo no sentido de requalificar o viário da região com foco no pedestre. Com isto, pretende-se que o entorno da Central passe a ser mais do que um local de passagem, e se torne efetivamente um ambiente de estar, com mobiliário urbano e amenidades compatíveis com este objetivo. O estudo propõe, já nesta fase, a realização de pequenas adaptações viárias envolvendo a reversão de sentido de tráfego em ruas adjacentes, tendo como base a análise do remanejamento tanto do tráfego geral quanto do itinerário das linhas de ônibus que acessam aos terminais da região, garantindo maior a perenidade às intervenções propostas.
Declaro que o presente trabalho é inédito, não tendo sido publicado em livro, revistas especializadas ou na imprensa em geral.
Pedro Paulo Silva De Souza
Possui graduação em Engenharia Civil , com ênfase em Transportes, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestrado em Engenharia de Transportes pela COPPE/UFRJ. Atualmente é Coordenador de Controle Operacional na área de Planejamento de Transporte da SuperVia, analisando impactos de eventos externos na rotina da empresa e coordenando o controle e desenvolvimento dos indicadores operacionais da Diretoria de Operações.

