
Com uma dinâmica calcada em diálogos com a jornalista Ana Lúcia Lopes, cinco especialistas de diferentes países participaram na manhã da quarta-feira, 15 de setembro de 2021, da 4ª Sessão Internacional, que visitou o tema O futuro da mobilidade urbana: tendências, sustentabilidade e economia.
Um dos pontos realçados pelo consultor internacional Sérgio Avelleda é que o mais importante de uma cidade ser inteligente está justamente no fato de usar os seus recursos de forma sustentável e, principalmente, em promover a inclusão, oferecendo a todas as pessoas que nela moram a oportunidade de acessar emprego, renda, lazer, cultura e a oportunidade de encontro com outras pessoas.
Mathieu Rivallain, conselheiro de Desenvolvimento Sustentável da Embaixada da França no Brasil, disse perceber que, nos dias de hoje, vivemos três transições simultâneas. Uma delas corresponde à esfera sócio-econômica e de saúde, imposta pela pandemia. Outra transição diz respeito à sustentabilidade do planeta e considera o âmbito da ecologia e da eficiência energética. A terceira transição é a digital. Ele remarcou que diante dessas três dimensões de transição, a relação entre Brasil e França vem sendo, recíproca e simultaneamente, de aprender e ensinar.
Co-fundadora e CEO da Movmi, organização canadense que se denomina ‘agência boutique’ especializada em arquitetura de mobilidade compartilhada, Sandra Phillips defendeu a utilização de recursos de mobilidade compartilhada junto com o transporte público como forma de qualificar os deslocamento nas cidades. Ela enfatizou que neste momento de retomada após a pandemia, é importante um esforço para evitar que as pessoas voltem a adquirir automóveis, justamente para que não deixem o transporte público.
Na sessão, José Castro, gerente de Relações Institucionais da Genetec, chamou a atenção para a necessidade da integração das informações captadas por uma rede crescente de dispositivos que coletam dados. Disse que nesta era da internet, instalam-se nas cidades, a cada ano, milhões de novos dispositivos, que coletam dados e informações relativas a áreas essenciais como segurança, infraestruturas, eletricidade e abastecimento de água, entre outras, e que tais informações, precisam ser devidamente integradas, oferecendo aos gestores das diferentes agências públicas os melhores meios para compreender as situações monitoradas.
Em sua participação, Márcio Francesquine, consultor internacional do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, destacou que a pandemia deverá influenciar a arquitetura de espaços públicos. Ele ponderou que a história registra avanços na arquitetura e em técnicas aplicáveis a serviços públicos a partir de crises sanitárias, como aconteceu após a peste bubônica e o cólera. E contou que, diante do Covid-19, empresas de engenharia e construção canadenses já identificaram a demanda por soluções que considerem espaços mais abertos e arejados e estão buscando o atendimento desses requisitos. Ele também antevê avanços na arquitetura que permitam um maior conforto do passageiro na experiência dentro das estações, por exemplo, com conceitos reduzam bloqueios. E a emergência de novos materiais, que facilitem ações de limpeza e mesmo dispositivos autolimpantes.


