
O presidente da AEAMESP, engenheiro Emiliano Affonso, disse que o congresso anual da entidade seria um dos primeiros a avaliar as perspectivas da mobilidade urbana diante da nova realidade político-institucional resultante da crise político-jurídica. Os debates da 22ª Semana tiveram participação de dezenas de especialistas do Brasil e do exterior além de autoridades responsáveis por políticas públicas que debateram a integração física e tarifária, o equilíbrio dos sistemas, a gestão das regiões metropolitanas e o papel do transporte ferroviário das metrópoles.
Entre os aspectos mais relevantes da crise, Emiliano Affonso destacou as consequências da retração econômica e a queda de arrecadação nos três níveis de governo sobre os projetos estruturadores do transporte público urbano, em especial, aqueles sobre trilhos.

Entusiasmado. José Antônio Fernandes Martins, presidente do Sindicato Interestadual da Indústrias de Material e Equipamentos Ferroviário e Rodoviários – SIMEFRE contou aos congressistas sobre o encontro que manteve, na segunda-feira 12 de setembro de 2016, com o ministro da Casa Civil do governo Temer, Eliseu Padilha, do qual saiu muito entusiasmado.
Padilha lhe assegurou que a aprovação do teto para as despesas do governo com reajustes anuais pela inflação e a da reforma da Previdência Social possibilitarão em quatro anos colocar a máquina do Brasil a girar em direção ao crescimento econômico. “Saí esperançoso e confiante, com o novo governo, que é sério, correto, porque montou a melhor equipe econômica que o Brasil já teve, com nomes certos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES, na Petrobras, no Banco do Brasil e na Caixa. Ele citou os efeitos da crise econômica no setor automotivo ao qual pertence (implementos rodoviários e ônibus). No período janeiro-julho deste ano a queda nas vendas foi de 28%, comparadas com igual período de 2015. “Se compararmos com 2014, a redução chega a 57%”, reforçou.
Ele criticou as taxas de juros praticadas pelo BNDES para financiamento dos ônibus que variam de 17 a 18%, sendo que não há atividade alguma que tenha esse retorno
Responsabilidade é da crise. Clodoaldo Pellissioni, secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo citou a crise econômica como responsável pelas dificuldades na sua área. Só em 2016, o Estado deixará de arrecadar R$10 bilhões; o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos-CPTM registraram queda de 300 mil passageiros cada um. Por isso, o governo reuniu o comitê de gastos e o Metrô iniciou um programa de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir custos.
Mesmo assim, Pellissioni afirmou que o Estado está investindo R$ 30 bilhões em oito grandes obras. Em 2015 os investimentos foram de R$ 4,8 bilhões. São 50 novas estações, 45 novos trens, afora a modernização de outros trens. Ele disse também que a Linha 6 está parada, apesar de ter 14 frentes de trabalho, por falta de liberação de recursos pelo BNDES.

Operadoras. O Metrô de São Paulo, segundo seu presidente, Paulo Menezes Figueiredo, quer oferecer um serviço cada vez melhor para seus clientes, por isso tem investido R$ 2 bilhões por ano em média, com recursos do Estado, BNDES e Banco Mundial para continuar sendo o sistema de melhor avaliação de São Paulo.
Luiz Valença, presidente da CCR Metrô da Bahia, destacou as obras que vem fazendo em Salvador: em oito meses colocou a funcionar a linha 1 do metrô que havia ficado 15 anos parada. São 12 quilômetros e 12 estações. As obras da linha 2 com 22 km e 12 estações, iniciada em fevereiro de 2015, já tem 60% construída e deve funcionar a partir de agosto de 2017. O metrô de Salvador é o segundo concedido à iniciativa privada. O primeiro foi há 10 anos, em São Paulo, a Linha 4-Amarela, para o mesmo grupo econômico.
A CPTM ofereceu aos participantes do congresso da AEAMESP uma visita às obras da Linha 13 — Jade, que vai ligar a Estação Engenheiro Goulart ao Aeroporto de Guarulhos e que deve começar a operar em 2018. O presidente da empresa, Paulo Magalhães, disse que a linha já é uma realidade.

Projetos paranaenses. A cerimônia de abertura foi encerrada com o discurso da vice-governadora do Paraná Cida Borghetti, que anunciou três obras ferroviárias pelo governo estadual: o chamado Trem Pé Vermelho, uma linha intermunicipal de 150 km que vai interligar as cidades do norte do Estado: Maringá, Londrina e Apucarana; outra deverá ser o corredor de exportação para o porto de Paranaguá e uma linha que vai interligar a capital e região metropolitana.
A vice-governadora, que já foi deputada federal, surpreendeu os os participantes da 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária ao oferecer ao presidente da AEAMESP, uma camiseta cor-de-rosa com o símbolo de uma campanha de prevenção ao câncer de mama no Paraná. Cida Borghetti disse que foi autora de um projeto de lei que criou o dia nacional de prevenção ao câncer de mama.


