A imprensa deu amplo destaque ao acidente ocorrido em 1º de fevereiro de 2022 em uma das frentes de trabalho da Linha 6 – Laranja, na cidade de São Paulo, cujas obras, comandadas atualmente por um consórcio liderado pelo grupo Acciona, foram retomadas em outubro de 2020 após longo período de paralisação em função da impossibilidade de um consórcio anteriormente habilitado continuar a tocá-la. Antes do incidente, as obras estavam em andamento, com previsão de início de operação da nova linha para 2025.

O jornal O Estado de S. Paulo descreveu o acidente como um desmoronamento causado pelo rompimento de uma rede coletora de esgoto, que fez ceder parte da pista da Marginal do Tietê. Os profissionais que trabalhavam no local do acidente saíram a tempo e não houve vítimas.
Autoridades estaduais e do município de São Paulo reuniram-se no dia seguinte ao acidente com representantes da empresa que comanda o consórcio responsável pela obra. O governo paulista disse ter solicitado à Acciona “que não medisse esforços e nem investimentos” para a retomada da obra da Linha 6 e par a retomada da funcionalidade da Marginal Tietê, afirmando ter recebido resposta positivas a esses pedidos.
O portal
MetroCPTM, editado pelo jornalista Ricardo Meier, cuidou do assunto, informando que a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do governo paulista anunciou a criação de um comitê em conjunto com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente para apuração dos fatos e das responsabilidades, monitorar o cumprimento das providências necessárias e assegurar a transparência das medidas adotadas.
“O Comitê será integrado por profissionais com expertise nas áreas técnica, financeira, jurídica e de comunicação. O Comitê ainda poderá convidar representantes de entidades da administração direta ou indireta do Estado de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo e de Concessionárias de Serviços Públicos, para participar dos trabalhos, visando à adoção de medidas para a rápida normalização do tráfego local e da retomada das obras”, disse a nota governamental.
Ainda de acordo com o portal MetroCPTM, a Acciona afirmou que o “incidente é pontual e não interfere nas demais frentes de trabalho do projeto, que seguem em execução”.
É recomendável controlar a ansiedade e esperar a investigação técnica, diz Sérgio Avelleda

Indagado em um programa de vídeo produzido pelo portal jornalístico UOL sobre quais as avaliações que naquelas primeiras horas poderiam ser feitas sobre as possíveis causas da ocorrência na Linha 6 – Laranja, o ex-presidente do Metrô-SP e da CPTM e também ex-secretário de Mobilidade e Transporte da Cidade de São Paulo, Sérgio Avelleda, disse ser recomendável controlar a ansiedade e esperar a investigação técnica.

“É preciso reduzir a nossa ansiedade. Eu sei quanto nós queremos saber imediatamente o que aconteceu. Um acidente desta natureza é complexo e várias causas que podem ter concorrido. A investigação, infelizmente, vai demorar. Qualquer opinião que se dê agora– se foi a máquina, se foi a chuva – é prematura e não está lastreada em laudos, em análises. A partir deste momento seguramente o governo do estado e as autoridades vão estabelecer medidas de investigação”.
Avelleda contou que quando houve o acidente na obra da Linha 4 – Amarela em janeiro de 2007, a Companhia do Metropolitano de São Paulo contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que demorou pelo menos seis meses para elaborar um laudo detalhado, de caráter conclusivo.
Ele comparou a situação com a queda de um avião, assinalando que as causas do acidente só serão conhecidas depois de algum tempo e com uma investigação correta, acrescentando ser preciso assegurar que essa investigação aconteça efetivamente.
Sérgio Avelleda comentou que algo que se pode dizer de imediato é que foi muito bom que não tenha havido vítimas, “o que sugere um plano de contingência bem elaborado”.


