Descrição: Entendemos aqui como “Projeto Cromático” o conjunto de atividades técnicas ligadas ao campo da Arquitetura, composto de análise, conceituação, estudos de alternativas, proposições e aplicação de sistema de cores. Neste trabalho será apresentado o desenvolvimento do processo e o resultado final implantado na Linha 2 do Metrô Bahia. A implantação do sistema metroviário em Salvador apresenta desafios muito diferentes dos encontrados nas experiências metroviárias implantadas anteriormente no Brasil, notadamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, tornando sua implantação, em muitos aspectos, original. Em primeiro lugar, a expansão urbana de Salvador desde os anos 60 do século passado se desenvolveu sobre um suporte geográfico específico, formado por colinas e vales; sobre as colinas se deu a ocupação residencial, enquanto os vales tiveram prioridade como vetor de transporte rodoviário, compartilhado agora com o metrô. A paisagem resultante deste modelo é caracterizada por baixa densidade de ocupação, grande amplitude de horizontes e consideráveis distâncias a transpor entre o ponto de captação de passageiros e as estações. Neste contexto, as estações são visualizadas a grandes distâncias, demandando presença forte na paisagem, como forma de orientação, identificação e atratividade para os usuários. O clima e a luminosidade locais impõem condições especificas para os edifícios das estações, quando se trata de garantir conforto térmico e economia de energia. No âmbito do estudo cromático, a consideração destas condições reforça o desempenho do edifício e permite uma inserção mais adequada à natureza local. Por fim, a cidade de Salvador é herdeira de uma especifica e rica condição cultural, em grande parte substanciada pela herança africana e portuguesa, presente em todos os aspectos da vida soteropolitana. Neste contexto, a implantação do sistema metroviário deve reconhecer esta herança, estabelecer legitimidade e inserção cultural de forma contemporânea, evitando repetir estereótipos. O processo de trabalho iniciou-se com análise de amplo espectro para identificação de elementos fortes de identidade na paisagem e da cultura da cidade de Salvador e da Bahia, com incursões na natureza, na história, na arte e na paisagem locais. Na sequência, procedeu-se à análise dos sítios onde as estações seriam implantadas e a arquitetura proposta para as estações, propondo-se um exercício de visão futura do potencial desenvolvimento de cada área. Cada estação se desenvolveu em condições completamente diferentes de implantação, morfologia, demanda e interação modal, exigindo a consideração de condições específicas, simultaneamente à busca de unidade geral para o sistema. A concepção do projeto iniciou-se com estudo de alternativas, até a consolidação de um partido que atendesse as diferentes premissas postas em questão, equacionasse os problemas e negociasse legitimamente com os diferentes agentes – construtores, operadores, poder concedente e usuários do sistema. A sequência de aprovações, desde as áreas técnicas e gerenciais da concessionária até as múltiplas esferas dos governos municipal e estadual, refinaram o projeto, tornando-o objeto de consenso, pronto para execução. O projeto encontra-se em execução neste momento. Baseado em sistemas pré-fabricados, a maioria das peças já chegam à obra com a pintura definitiva, fazendo com que a aplicação das cores seja simultânea ao andamento da obra. Na ocasião da apresentação deste trabalho na 22. Semana Metroferroviária, as obras deverão estar bastante avançadas e/ou parcialmente concluídas, permitindo que se demonstre os resultados com mais completude e se façam observações mais conclusivas. O Projeto Cromático, evidentemente associado a outros fatores, como a Arquitetura das estações, tem papel definidor na apropriação do sistema metroviário pelos usuários, permitindo a longo prazo a incorporação do sistema à cidade e à cultura local, reforçando o caráter público do sistema, sua sustentabilidade e conservação a longo prazo.
AUTOR: Emiliano Homrich Neves Da Fontoura

