Descrição: A ideia central em torno da tecnologia dos trens de caixa móvel é reduzir a aceleração lateral sentida pelo passageiro nas curvas ao inclinar-se a caixa do veículo para o lado interno delas, sendo um efeito análogo e adicional ao provido pela superelevação da via. Assim, é possível aumentar a velocidade de operação nas curvas em um dado traçado, mesmo aproveitando-se infraestruturas existentes e antigas, de geometria sinuosa e raios pequenos. Numa curva de raio R = 1.000 m, por exemplo, um trem convencional trafegaria a até 145 km/h, enquanto um trem pendular ativo (um dos subtipos da solução tecnológica) poderia percorrê-la a 195 km/h, um aumento de cerca de 34% na velocidade nesta curva. Naturalmente, em relação aos trens convencionais, o uso dos trens pendulares apresenta implicações particulares. Dentre elas: deve-se dar atenção especial ao risco de tombamento do veículo; o gabarito dinâmico ferroviário é de avaliação relativamente mais complexa; há movimentação mais acentuada da caixa do veículo, principalmente nas curvas de transição, que devem ser analisadas mais profundamente; o enjoo de movimento é algumas vezes mais associado aos trens pendulares; e, por fim, os custos adicionais de aquisição e manutenção do material rodante pendular são da ordem de 9 a 15% superiores em comparação com o convencional. Foram avaliadas, no âmbito do trabalho, as velocidades desenvolvidas pelos trens pendulares dos subtipos passivo (ou natural) e ativo e de trens convencionais, por meio de simulações de marcha e análise de dados em três corredores de traçado de maior ou menor sinuosidade, e com cerca de 47 km de extensão. Posteriormente, os resultados das simulações foram comparados, de modo a verificar-se o potencial de redução do tempo de viagem em função da menor ou maior sinuosidade do traçado em planta. A redução do tempo total de viagem no traçado menos sinuoso mostrou-se moderada, de 8,1% (trem pendular passivo) e 12,0% (trem pendular ativo). Para os traçados de sinuosidade média e alta, os resultados foram parecidos, de 12,7% para o trem pendular passivo e de até 20,0% com o uso do trem pendular ativo no traçado mais sinuoso. Os resultados encontrados são próximos dos verificados na literatura. Em resumo, o trabalho, além de apresentar a solução tecnológica dos trens de caixa móvel, mostra que há reduções de tempos de viagem relevantes com seu uso. Ademais, em projetos de novas linhas, recomenda-se que o traçado seja adaptado (principalmente com a inserção de curvas de transição mais longas) para a eventual operação de trens pendulares, que permite o aumento de velocidades e assim um serviço mais robusto, competitivo e naturalmente com benefícios para o usuário final.
AUTORES:
Felipe Rabay Lucas
Felipe Issa Kabbach Junior

