Descrição: Experiências passadas mostram que a ferrovia nasce de trechos regionais, se expandem e se modernizam. Além disso, a cultura de utilizar o transporte ferroviário é algo difícil de implantar em um curto período de tempo, entretanto ao olhar a ferrovia como meio de transporte público que auxiliem as pessoas no seu dia a dia, o desenvolvimento contínuo da ferrovia é atingido. Desta forma, Bauru apresenta vários aspectos positivos para o renascimento do transporte ferroviário de passageiros. Além de possuir uma das maiores estações do Brasil, tem em sua história a lembrança forte das ferrovias. A cidade cresceu e se desenvolveu com a chegada da ferrovia e a população manifesta interesse pelo retorno delas para a região. Além disso, Bauru é considerada polo regional do centro-oeste paulista com muitas cidades dormitórios. Neste aspecto, este trabalho visou em termos de viabilidade mostrar o potencial que a região de Bauru apresenta para transporte ferroviário de passageiros. O trecho de estudo inicial escolhido foi Bauru a Agudos que apresenta a maior demanda atual para possível primeira etapa que desencadeará um processo de expansão da malha. Desta forma, atingindo outras cidades da região como Lençóis Paulista e Botucatu, como extensão do tramo sul, visando a capital São Paulo; Pederneiras e Jaú, tramo leste; Garça e Marília, tramo oeste; Avaí e Pirajuí, tramo norte, somando cada vez mais pessoas, aumentando as relações entre as cidades e contribuindo para a economia das mesmas além do turismo. A partir de uma proposta de construção de um completo novo sistema de transporte ferroviário de passageiros baseado na tecnologia de trens movidos a hidrogênio seguiu-se uma análise de questões técnicas, sociais e econômicas. O trajeto seguiria paralelo ao traçado existente da antiga Sorocabana, sob concessão atual da Rumo, com aproximadamente 26,5km de extensão fazendo a ligação entre a Estação Central de Bauru até a estação de Agudos. Em termos de viabilidade técnica, com a utilização do traçado existente, que foi retificado na década de 80, questões de desapropriações são minimizadas. Já com o uso da tecnologia de hidrogênio, não haverá a necessidade de implantação da rede aérea de energia e haverá o estímulo a pesquisa como a utilização de etanol para obtenção de hidrogênio, já mostrado eficiente por pesquisadores brasileiros. Já quanto a questões sociais, através da pesquisa de campo realizada constatou-se o desejo e anseio da população quanto ao retorno da ferrovia e a demanda do serviço pela população. Desta forma, haveria uma revitalização natural do centro da cidade, valorização do comércio e imóveis, aumentando a economia da cidade. Outro fator importante é o incentivo ao turismo e como visto em outras cidades que adotaram soluções de transporte ferroviário de passageiros verifica-se o fomento de novas viagens. Em relação a fatores econômicos, assim como em qualquer ferrovia do mundo, seu investimento inicial é alto. Contudo, diferente de outras soluções no Brasil, visa-se um trecho relativamente pequeno, não havendo a necessidade do aporte de quantias elevadas. As despesas do sistema foram elencadas assim como as receitas, tanto tarifária quanto não tarifária. Esta, deve-se dar atenção visto que por apresentar uma demanda baixa, em termos operacionais, deve-se visar outras formas de arrecadação com a prestação de serviços e comodidades, nisto a revitalização da estação central de Bauru tem muito potencial a oferecer. Além disso, constatou a necessidade de terminais para o transporte de ônibus municipal, sendo um deles na Praça Machado de Mello, em frente à estação ferroviária de Bauru, possibilitando a intermodalidade e aumentando a demanda.
AUTORES:
Thiago Teixeira de Castro Piovan
Gustavo Garcia Manzato

