fbpx

Operadoras metroferroviárias precisam criar seus próprios empreendimentos imobiliários para financiar a ampliação da rede

Foto: Kelsen Fernandes / Fotos Públicas

 

A 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, que acontecerá de 13 a 16 de setembro de 2016, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP) contará com a participação de representante da operadora japonesa de transporte ferroviário de passageiros West Japan Railway Company (JR-WEST).

A ideia dessa sessão é destacar a importância de as próprias operadoras brasileiras de transporte público, em especial no setor metroferroviário, considerarem a possibilidade de realizarem empreendimentos imobiliários diretamente associados ao transporte como forma de garantirem recursos permanentes para ampliar e modernizar as redes e para assegurar a modicidade das tarifas para os usuários.

No Japão, há caso em que cerca de 40% dos custos de implantação de uma linha de metrô foram pagos por meio da riqueza propiciada pelo crescimento imobiliário promovido pelo próprio operador. Também há operadoras que possuem receitas não operacionais maiores do que as operacionais, mitigando os custos tarifários.

“Convidamos também especialistas alemães, que nos falarão sobre os fatores que devem ser considerados para a escolha da melhor opção de transporte, otimizando o uso dos recursos públicos”, explica Emiliano Affonso, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô – AEAMESP e especialista em mobilidade urbana e transporte sobre trilhos.

No segundo dia da 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária será desenvolvido um painel internacional coordenado pela Associação Latino-Americana de Metrôs e Subterrâneos (ALAMYS).

Em tempos de crise, avançar. A AEAMESP, entidade realizadora do encontro, tem trazido para a Semana de Tecnologia Metroferroviária expositores internacionais, para que mostrem o que acontece em outros países e “nos ajudem a ver com ângulos novos nossas velhas questões”, assinala Emiliano Affonso.

“Neste momento, marcado pela sobreposição de crises que todos conhecemos, tal tipo de apoio é especialmente importante. Em tempos bicudos, temos as maiores oportunidades de avançar e, para tanto, não devemos agir como avestruzes e enfiar a cabeça na areia, esperando que os problemas se dissipem. É fundamental unir o setor e sair a campo para viabilizar novas soluções, sob pena de retrocedermos”, complementa.

Para o dirigente, a retração da economia e da arrecadação nos três níveis de governo tem levado as administrações publicas a cortar investimentos. Esse tipo de resposta à crise tem afetado projetos estruturadores de transporte público urbano, notadamente os referentes a sistemas sobre trilhos, que tiveram o ritmo de implantação reduzido ou foram postergados.

Ele avalia que adiar projetos de infraestruturas de transporte enfraquece e piora a mobilidade urbana e, em razão disso, retira das cidades as melhores possibilidades de ampliar a produtividade e a competitividade no enfrentamento da crise. Assim, o que parece uma solução temporária poderá se caracterizar como um problema mais complicado e de maior duração, prejudicando o crescimento do país.

“Com a diminuição dos recursos do Tesouro, precisamos estruturar projetos capazes de captar créditos que ajudem a mitigar os custos de implantação e de operação. Uma parcela desse recurso pode vir do desenvolvimento induzido pelo próprio empreendimento, como se observa mundo a fora. E como parte dessa estratégia, precisamos organizar formas jurídicas que nos permitam capturar por um tempo delimitado uma parcela da riqueza adicional advinda da valorização imobiliária, do aumento da captação de impostos e do estímulo a diferentes outros negócios, que, comprovadamente, os sistemas de maior capacidade de transporte são capazes de gerar, ajudando a colocar em pé novas linhas sem a necessidade de aumentar impostos”, finaliza.